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Point-of-View Shot - Mad Max: Fury Road (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 21.05.15

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"As the world fell it was hard to know who was more crazy. Me... or everyone else"

 

Ao fim de duas horas cronometradas no que parece uma vénia à pontualidade britânica, a sala esvazia-se em câmara-lenta, com rasgos de pequenos tragos acelerados, num silêncio aparentemente letárgico que se torna quase desconfortável. É esta perceção que invariavelmente nos fica quando a ferocidade de “Mad Max: Fury Road” desliga os motores.

 

Saímos doridos da viagem que nos encheu a boca de poeira e o corpo de nódoas negras. O regresso à normalidade, e onde o futuro pertence a outros loucos, faz-se com os sentidos dormentes, mas a alma cheia de um cinema que julgávamos perdido nos tentáculos do tempo e da inovação tecnológica - porque aquilo que poderia soar a uma tentativa desesperada de fazer render uma vaca leiteira fora de prazo revela-se um choque retumbante e revigorante de originalidade demente.

 

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Perseguido pelo seu turbulento passado, Mad Rockatansky acredita que a melhor forma de sobreviver é não depender de mais ninguém para além de si próprio. Ainda assim, acaba por se juntar a um grupo de rebeldes que atravessa a Wasteland, numa máquina de guerra conduzida por uma Imperatriz de elite, Furiosa. Este bando está em fuga de uma Cidadela tiranizada por Immortan Joe, a quem algo insubstituível foi roubado. Exasperado com a sua perda, o Senhor da Guerra reúne o seu letal gang e inicia uma impiedosa perseguição aos rebeldes e a mais implacável Guerra na Estrada de sempre. E quando o sprint para o inferno começa, já não para. É há tanta, tanta loucura. Loucura pura e cristalina; alimentada por fogo, sangue e fúria.

 

As imagens sucedem-se à velocidade de uma chuva de meteoritos. Terroristas a catapultarem-se para o veículo inimigo. Crânios como figuras de adoração. Tempestades de areia que engolem tudo. Explosões espetaculares. A figura icónica de um homem sem face preso a uma parede de colunas gigantescas onde faz uma serenada à morte enquanto rasga acordes numa guitarra elétrica que cospe fogo. Os posters não estavam a mentir – o deserto, o calor, a sede, o instinto… devem ter tornado toda a gente louca.

 

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Precisamente 30 anos depois de “Mad Max 3: Thunderdome”, “Fury Road” retoma os acontecimentos num mundo rapinado pela política, poder e selvajaria do instinto. Todavia, George Miller regressou ao universo que instituiu o seu nome como referência e Mel Gibson como uma estrela com uma entidade que opera por si mesma, sem necessidade de (re)conhecimento da proeza tripartida original – e que foi, tão somente, a explosão que catapultou a New Wave do cinema australiano para o olho global.

 

Fury Road” é tão pouco tradicional como blockbuster quanto pode ser, e sobrevive num deserto de olvidáveis experiências cinematográficas à custa da sua “originalidade old school” e audácia.

 

Um dos seus menos vistosos mas mais determinantes atributos é o sentido económico refinado do argumento. A história é tremendamente simples apesar de explodir em discussões filosóficas e transbordar sentimento, encontrando beleza no grotesco e estranheza desconcertante na graça. No entanto, não cede a qualquer tentação da complicação para o esconder. O diálogo e exposição mantém-se em volumes mínimos, servindo-se do poder geralmente subestimado do storytelling visual para contar a maior parte da história e estabelecer o mood. A prova do engenho está na claridade do enredo e das motivações de cada personagem a partir da ação, mesmo inseridos numa natureza diabólica e intempestiva.

 

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Mas não é este o único aspeto que torna “Fury Road” um poderoso marchante em contracorrente – porque ao contrário dos parentes blockbusters de estúdio atuais, o filme de Miller construiu-se na base de efeitos práticos, auxiliados de forma apenas pontual pela magia dos efeitos visuais. O espetáculo, que apesar do luxuoso orçamento se sente profunda e positivamente artesanal, torna-se, desta feita, uma faceta de pasmar, com acrobacias tais que podíamos jurar estar a assistir a uma exibição do Cirque du Soleil numa competição de Monster Trucks engolida por um concerto de heavy metal.

 

Do ponto de vista temático, é nuclearmente um ensaio sobre a objetificação humana como reflexo de uma era desesperada. E enquanto é um absurdo absoluto etiqueta-lo como propaganda ultra-feminista, o filme de Miller encontra na mulhor a heroína que tão pouco conhecemos na sétima arte. Com a autora de “Os Monólogos da Vagina” como consultora, o realizador sugere que a mulher-criadora é a chave para a esperança no futuro num twist que combate “complexo macho” que afeta a esmagadora maioria do cinema de ação, em geral.

 

Miller adorna a sua sinfonia de desordem em alta potência com pinceladas de violência tresloucada; mas cada choque, cada explosão, é cerebral na medida em que constitui um elemento essencial para o puzzle completo que se constrói num filme sobre revolução e salvação, sobre a necessidade do combate ao cultivo do ódio e do terrorismo, mas também profundamente terno nos vestígios de esperança que encontra pelo caminho.

 

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O Max de Hardy é inequivocamente mais Mad que o de carismático anti-herói Gibson, poupando nas palavras mas caprichando numa performance física que facilmente poderia ter sido dolorosamente unidimensional, mas que se revela numa complexa mistura de estranheza, comportamento errático e apetência para a loucura que não esconde totalmente o íntimo vingador e justo de um homem calejado pela dor da perda e a loucura da impotência.

 

Todavia, uma das escolhas mais corajosas de Miller foi colocar Max no lugar do pendura e abrir o palco à redenção de Furiosa. Charlize Theron constrói uma das heroínas de ação mais interessantes e complexas do Cinema contemporâneo, e é ela a alma e coração magoados do filme. É através do seu percurso e dos seus triunfos e derrotas que nos investimos, e talvez não estejamos a rumar muito além da verdade se ousarmos admitir que se poderá tornar como a maior referência de ação feminina desde que Sigourney Weaver ensinou uma lição à rainha-mãe em “Aliens”.

 

Na fila secundária, vale a pena prezar a dedicação de Nicholas Hoult a uma das personagens mais complicadas e peculiares do filme, bem como do gangue de super-noivas liderado por Rosie Huntington-Whiteley.

 

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Fury Road” é um poema de Álvaro de Campos embriagado num cocktail molotov de esteroides e areia do deserto. Uma terapia de choque frenética, uma ópera furiosa de acordes surreais, um delírio febril que faz com que qualquer outro filme de ação pareça uma insossa sucessão de fotografias.

 

É o cinema de ação em estado de graça. Como já foi. Como já não é. Como deveria ser.

 

 

9.0/10

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Point-of-View Shot - Force Majeure (2014)

por Catarina d´Oliveira, em 19.05.15

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"I'm a bloody victim of my own instincts!"

 

Se “Gone Girl” é o apunhalar macabro do coração da instituição do casamento, “Force Majeure” é a tempestade que o precede.

 

Ebba e Tomas decidem passar cinco dias de férias a esquiar nos Alpes franceses com os seus dois filhos, Harry e Vera. Tomas tenta dedicar mais tempo à família, já que Ebba acha que trabalha demais. Mas quando os quatro almoçam num restaurante nas montanhas, uma avalanche aproxima-se inesperadamente e ameaça soterrar o local. Um impulso instintivo ditará o futuro da dinâmica desta família.

 

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Os peões organizam-se em jogo a ritmo calmo mas seguro para aquela que tem tudo para ser uma história comum de sobrevivência, um melodrama onde o núcleo parental trabalha conjuntamente para resolver uma situação de crise.

 

Contudo, o realizador Ruben Östlund não podia estar menos interessado em oferecer-nos um produto de digestão rápida ao qual já estamos habituados. Em vez disso, um enredo de catástrofe natural é substituído por uma exposição de cataclismo humano, onde o terror não se encontra nas forças desconhecidas da natureza mas nos recantos mais sombrios dos instintos humanos.

 

O absurdo e o angustiante tomam as rédeas à medida que “Force Majeure”, um exame profundo à gestão da crise num casal com traços desconfortáveis de hilariante deboche, nos desarma e despe perante a confrontação com as consequências de uma escolha escorregadia. Não temos para onde fugir, e as questões que são colocadas na ficção, rapidamente ganham alojamento nos recantos do nosso cérebro – como reagiria? O que faria? Que tipo de pessoa sou? Um herói ou um sobrevivente?

 

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O retrato da família perfeita é rapidamente distorcido pelo fantasma da disfunção, e a queda, em câmara lenta, do castelo de cartas é absolutamente fascinante. A premissa é extraordinariamente rica em poder dramático, e Östlund explora-o com uma precisão cirúrgica. O tema do instinto de sobrevivência que vive por debaixo da capa de segurança do comportamento civilizado e politicamente (e socialmente) correto não é propriamente novo, mas o facto de ser criado e alimentado por um acontecimento tão mundano faz parte do seu fascínio.

 

Enquanto somos pontualmente assaltados pelo tempestuoso concerto de Vivaldi, a linguagem visual de Östlund diz-nos tanto como os seus diálogos, alternando entre planos magistrais do exterior nas imensas pistas de ski e segmentos apertados da família no hotel, onde todos se amontoam, mal cabendo no enquadramento.

 

Além de uma edição peculiar e do pecado da recorrência de alguma repetição, o filme tem ainda um fecho que tem sido celebremente discutido como despropositado ou estranho, alicerçando-se num bizarro acontecimento num autocarro para, quiçá, deixar no ar a possibilidade da vulnerabilidade no plano matriarcal. O final é aberto à interpretação, mas talvez também um formalismo necessário à estrutura de um filme que se edifica a partir das questões que (nos) coloca.

 

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Como um livro de conclusões por explorar, “Force Majeure” é um ensaio de traços subtis mas cortantes sobre as nossas hipocrisias, e uma obra de implicações desconfortáveis e reflexões de tirar o sono empacotada numa sátira brutal à masculinidade do séc. XXI.

 

E parece que este país não é para homenzinhos.

 

8.0/10

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Master Shot - Bootlegs, I <3 you (parte III)

por Catarina d´Oliveira, em 11.05.15

Eu acreditava piamente que tinha sido há três meses, mas foi na verdade há cerca de um ano e meio que embarquei numa jornada louca pelo universo alternativo... dos bootlegs - gravações baratas (e piratas) de filmes/séries/concertos em que um indivíduo filma o ecrã de um cinema com aquilo que parece ser uma máquina de calcular, a julgar pela qualidade dos mesmos.

 

E depois de muita resistência, hoje regresso finalmente a esse enorme reino de pérolas para recuperar mais algumas obras de arte.

 

 

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Devo ter adormecido na parte em que o Denzel Washington participou no Fast & Furious...

 

 

 

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Possivelmente, linguagem de código para "director's cut"

 

 

 

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E o Jackie Chan com barba branca e dentes podres

 

 

 

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Isto é uma passagem aleatória de 50 Shades of Grey ou assim...?

 

 

 

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Daquela vez em que o Indy teve de ajudar o Frodo a enganar o Sauron...

 

 

 

 

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Afinal o Lincoln acabou com a escravatura a tiro

 

 

 

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Demasiado bom

 

 

 

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É neste que o Leonardo leva o Óscar

 

 

 

 

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"Engaging lonely between" ... "to express himself and wanting"... say what?

 

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A comédia romântica que conta a história de amor entre Frodo, um snowboarder cool, e um Orc... com muito amor, sexo e sonhos.

 

 

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Fácil.

 

 

 

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É (quase) compreensível

 

 

 

 

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"E depois de terminar a sinopse, pousou a garrafa de Rum completamente vazia."

 

 

 

 

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Pacina Maluca.

 

 

 

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Quase, quase...

 

 

 

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Pela primeira vez, uma criação absolutamente fiel

 

 

 

 

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Mesmo nas nalgas.

 

 

 

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 A sequela mais aguardada

 

 

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Point-of-View Shot - Capitão Falcão (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 29.04.15

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"Eu como comunistas ao pequeno-almoço!"

 

Começo por afirmar com toda a veracidade: o lápis azul não teve nada a ver com a minha impressão extremamente positiva desta história dos livros que foi virada do avesso para nos fazer rir com heróis que são os maus da fita.

A base da comédia de João Leitão está no mistério verídico de uma série televisiva em produção entre 1973 e 1974, CAPITÃO FALCÃO. Este renascimento do ícone para o séc. XXI conta a história de um super-herói Português (o primeiro!) ao serviço do Estado Novo. Juntamente com o seu sidekick, Puto Perdiz, Falcão combate todas as ameaças à Nação, que incluem os terríveis comunistas, os impiedosos Capitães de Abril e as arrogantes feministas, respondendo a um homem apenas: António de Oliveira Salazar. Mas estranhos acontecimentos e uma ameaça democrática começam a invadir a capital… Conseguirá Capitão Falcão salvar o dia?

 

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Leitão trabalhou no “filho adorado” por mais de seis anos, e apesar de ser um estreante nas lides cinematográficas, dirige as operações com o engenho e calma de um veterano. As inspirações e influências são várias e vão desde os filmes franceses do OSS: 117, às séries de Batman, Allô Allô e Blackadder, e sem esquecer a preponderância clara de Chaplin, Jackie Chan e Bruce Lee no processo criativo.

Gonçalo Waddington foi o ator (sabiamente) escolhido para trazer à vida um poderosíssimo e carismático protagonista fascista de bigode de uma acídica e perversa sátira política sobre o Antigo Regime, que toma partido de um ponto-de-vista único e provocador.

 

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A abordagem é profundamente teatral e declamatória, o que pode jogar em seu desfavor – não sendo uma técnica comum na indústria portuguesa, pode tornar-se cansativa e repetitiva. Não obstante a originalidade do conceito, o bom ritmo e do sucesso generalizado da sua transposição para o grande ecrã, sente-se, em determinados momentos, que o humor também não é suficientemente robusto para aguentar a totalidade da película.

Todavia, CAPITÃO FALCÃO é uma redonda vitória portuguesa. É uma espécie de blockbuster, acessível em género e em tema, que resplandece criatividade - no horizonte paira a interessante hipótese das sequelas, dependentes, evidentemente, da adesão do público.

O cuidado na construção de um "falso mau filme" – e é preciso que atentemos que este próprio esqueleto é intencional e parte essencial do deboche generalizado – é extremo, desde as sofríveis montagens de veículos em movimento, às lutas inspiradas nas artes marciais. Mas as diferenças não se esgotam no ecrã e viajam até à promoção cuidada, que alia aos tradicionais tv spots e trailers da praxe, a uma miríade de concursos de grafismo e uma página de Facebook hilariante, dirigida pelo próprio Capitão.

 

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Mostra-se uma vez mais necessário lembrar que o cinema português atravessa um longo deserto de desamor, de desapego com o público que tem de conquistar para respirar numa ambiência de asfixia. Ao fechar-se sobre si mesmo, afasta o elemento de que mais precisa. Por isso é que precisamos do Capitão Falcão.

Precisamos de heróis metafóricos para fazermos as pazes com a indústria que já amámos e respeitámos, e para conseguirmos voltar a sentir o orgulho coletivo de comprar o bilhete para um filme português. Precisamos de comédias que não são fáceis, de dramas que não cheiram a novela e de fantasias que nos transportem para longe.

E não é que não se faça já bom (ou, em alguns casos, excelente) cinema português – o problema é que o público e o meio se perderam demasiado pelo caminho, e os laços têm de ser reconstituídos.

 

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Este CAPITÃO FALCÃO não é perfeito, mas é uma tremenda lufada de ar fresco, um certeiro tiro no escuro de um género inexplorado, uma explosão de (bom!) entretenimento e uma seta do cupido apontada ao coração português.

E agora pirem-se daqui e vão ver o filme, senão o Capitão vai à vossa casa e limpa-vos o sebo.

 

 

8.0/10

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Pull Back Shot - A mentirinha de Kristen Stewart

por Catarina d´Oliveira, em 27.04.15

Os trejeitos e tiques da garota que trouxe à realidade física a (dolorosa novela) de Bella Swan de Twilight têm sido largamente examinados (e ridicularizados) ao longo dos anos, mesmo no momento em que parece começar a chegar aos pícaros da aclamação - foi, este ano, a vencedora  de um César (ou Óscar francês) de interpretação, e a primeira atriz estrangeira a consegui-lo.

É difícil acreditar que a carreira de Kristen Stewart começou muito antes do épico de vampiros - o veículo que a transportou, permanentemente, para o passeio da fama (e da infâmia). Todavia, e na verdade, Stewart já corre estas maratonas desde tenra idade, depois de ter sido "apanhada" por um agente numa peça escolar com apenas 8 anos.

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Mas mesmo antes de Panic Room - o thriller de 2002 de David Fincher e também com Jodie Foster que a colocou, pela primeira vez, no mapa - Kristen Stewart já tinha andado a espalhar charme e "talento" por um elucidador reclame da Porsche.

É fascinante como Stewart descobre uma forma engenhosa de não ter de partilhar o autocarro para a escola com os colegas bexigosos, prazer apenas suplantado pela delícia arrebatadora da atitude ousada com que mente na cara do pai - porque ela vive eterna e intensamente sobre o lema "live fast, die hard".

 

 

Recordar é viver.

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Férias - Mais off que on

por Catarina d´Oliveira, em 16.04.15

Caríssimos,

 

como têm visto, nas últimas duas semanas a atividade por aqui tem sido - infelizmente - muito pouca, mas prometo que ando a engendrar regressos.

 

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Entretanto, vou ali passar uma semaninha à República Dominicana, descansar à sombra da bananeira e edificar novos artigos daqueles que dão gosto... com pouca ou nenhuma substância.

 

Marcamos reencontro, por aqui, no dia 27 de abril (segunda-feira). Pelo facebook, vou deixando umas postas de pescada.

 

Bons filmes!

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Snorricam - O que todos sentimos quando Mufasa morreu

por Catarina d´Oliveira, em 15.04.15

De repente, todos os meus recalcamentos foram em vão e voltei aos meus cinco anos de idade, em frente à televisão alimentada pelo velhinho VHS riscado por tanto uso, a morder os lábios para não dar parte fraca.

 

Um pai achou que seria uma ótima ideia filmar a reação da filha a assistir a um dos momentos mais traumáticos para as gerações de 80-90: a morte de Mufasa em The Lion King.

 

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A brava garota tenta engolir e reprimir as lágrimas, mas quando o pai lhe oferece um abraço... não há volta a dar. E todos sabemos o que ela está a passar. Acho que consegui mesmo ver o meu reflexo nas lágrimas da petiz...

 

 

 

Que assombro, tristeza, devastação. 

Mas para propiciar a recuperação... hakuna matata.

 

 

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Snorricam - Como seria Avengers 2 realizado em 1995?

por Catarina d´Oliveira, em 08.04.15

Uma banhada controlada, certamente.

 

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Os blockbusters mudaram drasticamente a sua face nos últimos vinte anos e não só falamos dos efeitos especiais ou dos detalhes de produção associados, mas também de todo o material de marketing correspondente. Basta fazer uma viagem à memória pelo youtube para perceber que, por exemplo, o estilo dos trailers mudou totalmente... o que deixa a questão no ar - como iriam os filmes de hoje promover-se nos anos 90?

 

A New York Magazine responde com o hilariante e surpreendentemente preciso exemplo de Avengers: Age of Ultron.

 

 

 

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Point-of-View Shot - Mommy (2014)

por Catarina d´Oliveira, em 31.03.15

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"Toi et moi, on s'aime encore, hein ?"

 

Exuberante e cru – é assim o cinema de Xavier Dolan, o jovem realizador que chegou às bocas do mundo com a sua quinta longa-metragem, premiada em Cannes e tatuada na memória.

 

Mas o enfant terrible canadiano não é novo nestas andanças. Depois de uma carreira prolífera como ator infantil, serpenteou para trás das câmaras com apenas 19 anos, quando lançou o seu primeiro filme, J'AI TUÉ MA MÈRE, um grito de raiva materializado num drama parcialmente autobiográfico sobre a complexidade dos laços de um filho problemático e uma mãe alheada.

 

Essa primeira obra, que espalhou na tela como pinceladas seguras alguns dos primeiros indícios daqueles que seriam os traços mais distintivos da obra de Dolan, está intimamente ligada com o seu mais recente filme. É que se J'AI TUÉ MA MÈRE foi um castigo alegórico para a sua mãe, MOMMY nasceu para vingá-la.

 

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Die é uma mãe solteira, viúva mas com muita garra, dá por si com o fardo de ter a guarda exclusiva de Steve, o seu filho de 15 anos que sofre de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Enquanto tenta sustentar ambos e lida com esta situação difícil, Kyla, a nova e peculiar vizinha da frente, oferece-se para a ajudar. Juntos encontram um novo sentido da vida, de equilíbrio e esperança.

 

Furioso, MOMMY é um tornado de emoções à flor da pele, mas um mestre absoluto na sua gestão – nunca se torna cansativo, porque a energia do seu caos organizado é absolutamente revigorante. O ritmo é implacável, brilhando ao nível de uma realidade de emoção, frustração e desejo aumentados. É uma viagem na montanha-russa sem paragens, selvagem, louca, e completamente embebida na pop que marcou o crescimento das gerações de 80 e 90.

 

Atirando-se à arte que nasceu para ser sua com o apetite voraz de uma criança num recreio sem limites, Dolan tem vindo a consolidar uma estética única e uma voz distinta; com MOMMY chega a irrevogável prova de uma maturidade emocional além dos seus 25 anos.

 

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Mas este não é apenas um portento dramático, ou exímio no contexto narrativo pungente. É, igualmente, uma exposição viva de criatividade cinematográfica. Apoiando-se num revolucionário aspect ratio de 1:1 (o equivalente, digamos, ao formato de uma fotografia no Instagram), obriga-nos a respirar as emoções dos personagens num quadrado perfeito, criado especificamente para aniquilar possibilidade de escape. Todos os sentimentos, as revoltas e motins emocionais são maximizados, até um momento de pura liberdade artística, evidentemente transcendente, que torna a razão para esta decisão técnica ainda mais clara.

 

No contexto das interpretações, é profundamente doloroso recordar a falta de reconhecimento que o tridente de Dolan tem obtido. Anne Dorval, musa habitual do realizador, é uma força da natureza como a excêntrica viúva Die, naquela que foi certamente, uma das interpretações femininas mais poderosas de 2014. Também o jovem Antoine Olivier Pilon foi fenomenal como o bombástico e imprevisível Steve, e Suzanne Clément confere uma qualidade enigmática à professora reservada que ajuda a família.

 

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Trágico mas luminoso, MOMMY é um filme de surpreendente violência e dor profunda, pontuado por explosões de absoluta (e genuína) felicidade. É euforia pura, inebriante, cheio daquilo que torna a vida… na vida.

 

Uma consequência justa. Uma reviravolta injusta. Um sorriso sincero. Um uivo de dor. Uma lembrança serena. Uma ferida em carne viva. Uma gargalhada dobrada. Um murro no estômago. Um abraço de esperança. Um choro de morte.

 

E passando os dedos pelas cicatrizes, saímos da sala mais vivos.

 

 

10/10

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Awards Season: Prémios CCOP 2015 - Os vencedores

por Catarina d´Oliveira, em 24.03.15

A vossa mártir espera terminou: já foram revelados os grandes vencedores dos muy nobres Prémios CCOP 2015.

 

O Círculo de Críticos Online Portugueses (eu estou lá!) distinguiu Grand Budapest Hotel como o filme do ano. Abaixo a lista (in)completa de vencedores.

 

 
 
 
Melhor Filme
Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson
 
 
 
Melhor Realizador
Wes Anderson por Grand Budapest Hotel
 
 
 
Melhor Argumento Original
Uma História de Amor, Spike Jonze
 
 
 
Melhor Argumento Adaptado
12 Anos Escravo
John Ridley, baseado no livro de Solomon Northup
 
 
 
Melhor Actor
Matthew McConaughey em O Clube de Dallas
 
 
 
Melhor Actriz
Rosamund Pike em Em Parte Incerta

 

 

(...)

 

Estão a perceber o meu jogo sujo? A minha velhacaria?

Para ver o resto têm mesmo de ir ao blog do CCOP.

 

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