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 [Artigo originalmente escrito para a Vogue.pt]

 

 

STAND BY ME (1986), de Rob Reiner

À semelhança de "Sandlot", "Stand By Me" versa muito sobre tudo aquilo que torna os laços de infância tão memoráveis. Um clássico da juventude, amizade e perda de inocência onde um grupo de garotos tenta encontrar o corpo de um rapazinho desaparecido. O tipo de aventura que só pode ter lugar num espaço que permite noites longas e dias dedicados – o verão.

 

 

ADVENTURELAND (2009), de Greg Mottola

A substituição do desejo inapagável de uma aventurosa viagem nas férias de verão pela realidade de um trabalho temporário odiável foi, certamente, uma realidade na vida de muitos de nós, comuns mortais. Também o foi na vida de James Brennan, o nosso relutante protagonista que vê as férias perfeitas arruinadas pela realidade da responsabilidade de fazer a sua própria vaquinha. Uma aventura que prima pela pungência e pelo retrato de uma fase da vida marcada pela incerteza do crescimento que se processa à base do “dois passos à frente e um atrás”.

 

 

GARDEN STATE (2004), de Zach Braff

Mais um dos que não são necessariamente um filme de verão per si, mas que tem aquele brilhozinho estival tão reconhecível como vimos, por exemplo, em "500 Days of Summer". Uma fatia de vida e uma ode perfeita ao “verão que mudou tudo” onde não há um único plano que não brilhe, o que por si só já justifica a sua presença obrigatória nesta lista.

 

 

SEVEN YEAR ITCH (1955), de Billy Wilder

O verão também se aproveita na cidade, como vem provar "Seven Year Itch", a história de um pai de família que envia a mulher e filhos de férias de verão para Maine e tenta, em Nova Iorque, resistir à tentação de uma voluptuosa vizinha. Pouco mais me escuso a dizer para vos convencer quando a vizinha é uma bastante encalmada Marilyn Monroe.

 

 

GREASE (1978), de Randal Kleiser

Quería ter um musical para vos oferecer nesta lista, e faço-lo por meio de um clássico que dispensa apresentações. Em caso de percalço, haverá sempre uma exibição de Mamma Mia! na televisão generalista ao virar da esquina.

 

 

LA NOTTE DI SAN LORENZO (1982), de Paolo Taviani e Vittorio Taviani

10 de Agosto. É esta a data da Noite de São Lourenço, aquela onde é visível o maior número de estrelas cadentes no céu. Segundo a tradição, cada uma destas estrelas garante um desejo realizado, e uma mulher pede as palavras certas para contar ao filho a história do vilarejo de San Miniato numa daquelas mesmas noites, durante o último folego da Segunda Guerra Mundial. Uma mistura de lirismo/poesia e realidade/fantasia, é, talvez, o título mais sério desta lista. "La Notte di San Lorenzo" é, como muitos outros filmes de guerra, violento e angustiante. Mas o que sobra findo o seu visionamento é a crença na capacidade da humanidade de se elevar a tamanhas atrocidades.

 

 

FRIDAY THE 13th (1980), de Sean S. Cunningham

Oh, as belas memórias do acampamento de férias de verão. Salsichas assadas, t-shirts pirosas, dores nas costas, canções à volta da fogueira, jovens decepados… ricos tempos! Pamela Voorhees e o seu filho Jason deixaram para sempre a certeza de que um acampamento pode não ser o lugar para as lembranças de verão mais felizes…

 

 

BEFORE SUNRISE (1995), de Richard Linklater

Apesar de ser uma das mais belas e apetecíveis cidades europeias, cremos que há melhores alturas do ano para visitar Viena que não no pino do verão. Ou assim pensávamos nós, até Ethan Hawke e July Delpy nos fazerem mudar de ideias. Uma celebração das relações humanas e daquele honesto mas raro momento em que a magia do quotidiano acontece – click.

 

 

INTO THE WILD (2007), de Sean Penn

Acabadinho de sair da universidade, Chris McCandless decide abandonar a vida de conforto e procurar a liberdade no mundo. A odisseia realizada por Sean Penn é um hino à relação tempestuosa entre um homem e a natureza, e a sua constante procura pela salvação e ponto de ligação com o mundo. Alexander Supertramp promete agarrar-se ao vosso coração, abaná-lo e inspirá-lo pelo sonho.

 

 

AMERICAN GRAFFITI (1975), de George Lucas

Há muito tempo, numa realidade muito, muito distante, George Lucas realizava filmes que não eram Star Wars. Bom, na verdade foram só dois, e sendo que um deles também tinha muitas máquinas à mistura, leva-nos a concluir que o realizador teve um único filme dito “normal” na carreira. Foi nessa era áurea que surgiu Nova Geração, o título que captou na perfeição o sentimento daquele último dia de verão, onde simultaneamente a novidade está à porta e é tentadora mas não deixar a alegria do presente fugir. E tem Harrison Ford, mas juramos a pés juntos que não há quem se envolva à batatada com sabres de luz.

 

 

 [Artigo originalmente escrito para a Vogue.pt]

 

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Mini (holiday) break

por Catarina d´Oliveira, em 21.07.15

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Mas é coisa pequena, de uma semanita, para descanso do pessoal - bem sei que isto andava meio paradote, mas há coisas novas a caminho. Promise.

 

Até segunda (27 jul) e bons filmes!

 

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 [Artigo originalmente escrito para a Vogue.pt]

 

 

É oficialmente tempo de sol, surf, protetor, gelados, noites quentes e… filmes de verão. Deixam-se aqui de parte os blockbusters que têm vindo a marcar a estação nos últimos anos para nos focarmos antes naquele género muito específico de cinema criado estabelecer o mood dos três meses mais quentes do ano, seja a recordar aquele verão inesquecível da adolescência ou a reviver a paixão assolapada que mudou tudo.

 

Como não quero que vos que falte nada, compilam-se neste artigo (dividido em duas partes) uma coleção de 20 filmes a levar na mala nas férias de verão. Ou em alternativa, para aqueles que, como eu, ainda se encontram subjugados às maravilhas das ventoinhas e do ar condicionado, um pretexto para subornar o chefe e conseguir uns diazinhos de férias.

 

 

JAWS (1975), de Steven Spielberg

Não há nada que diga verão como perder um ou dois membros para uma besta sanguinária dos mares. JAWS é comummente considerado o primeiro blockbuster da “Nova Hollywood” e ignorar o clássico de Steven Spielberg numa lista de filmes destinada a veraneantes felizes? Impossível. A imagem idílica de Amity Island é despedaçada pelos gritos agonizantes, e com um peixe mecanizado (que agora parece) tosco e apenas duas notas imaginadas por John Williams, Spielberg instalou o medo irracional do mar nas audiências para sempre. Diz o dito popular que “quem vai ao mar perde o lugar”, mas em JAWS, quem vai ao mar perde mesmo é um braço. Ou uma perna.

 

 

LES VACANCES DE M. HULOT (1953), de Jacques Tati

No Hotel de la Plage, a massa turística passa umas férias descansadas à beira-mar. Sem tubarões à vista, há outro elemento peculiar que irá semear (involuntariamente) o terror neste espaço balnear: ele é o trapalhão sr. Hulot, Herdeiro de Charlie Chaplin e Buster Keaton, Jacques Tati foi um mago do Cinema (cómico) Mudo, ainda que só tenha realizado meia dúzia de longas-metragens e protagonizado outras tantas. LES VACANCES DE M. HULOT é um clássico do entretenimento pós-guerra e um retrato nostálgico e afetuoso de um dos prazeres humanos mais primários: o tempo de brincar em vez de trabalhar, de respirar o ar puro em vez do ar poluído da cidade, de viver em vez de sobreviver.

 

 

Y TU MAMÁ TAMBIÉN (2001), de Alfonso Cuarón

Verão não é apenas sinónimo de praia. Road-trips, boa música, tequila e amigos também entram na lista. E mulheres casadas… Pelo menos é essa a premissa de Y TU MAMÁ TAMBIÉN, o filme de Alfonso Cuarón que também nos permite um olhar independente sobre as mais belas paisagens mexicanas. Tudo isto sem mariachis à vista.

 

 

AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO (2008), de Miguel Gomes

No coração de Portugal, o mês de Agosto multiplica os populares e as atividades: festas e romarias, foguetes, música e muita animação. Cruzando ficção e documentário e grandes ambições com poucos trocos no bolso, surge um daqueles projetos aparentemente destinados ao fracasso mas que acabou como um título aclamado por esse mundo fora. A pureza das gentes portuguesas em 150 minutos que não podem ser chamados documentais nem ficcionais.

 

 

VICKY CRISTINA BARCELONA (2008)

Qualquer filme de Woody Allen é perfeito para uma noite quente de Verão, mas a imperatividade de não inundar esta lista de filmes do realizador americano obrigou-me a escolher apenas um. Vicky e Cristina têm a oportunidade de uma vida nas férias de verão com que são presenteadas em Barcelona. A cereja no topo do bolo? Um encantador “guia” com traços de Don Juan. O alerta? Uma neurótica ex-mulher. É uma viagem imperdível regada com bom vinho, sexo e turistas desapropriadamente atraentes.

 

 

MEATBALLS (1979), de Ivan Reitman

Talvez mais ainda do que um psicopata com uma machete em punho e um tubarão branco esfomeado, MEATBALLS não é propriamente o título mais atrativo para um filme, sobretudo um filme de Verão – além de que atrapalha imenso a linha, e o bikini não deixa espaço a ilusões de ótica muito favorecedoras. MEATBALLS é, contudo, o título de um dos mais icónicos filmes de verão do cinema americano: o cenário do acampamento é autenticamente previsível, com direito a corridas em sacos de batatas e despertar com adoráveis megafones, mas a primeira aparição cinematográfica de Bill Murray vale nem que seja por si mesma.

 

 

THE SANDLOT (1993), de David M. Evans

 A epitome do espírito do verão inesquecível capaz de abanar as memórias mais recônditas chega sob a forma de Sandlot, um filme sobre as aventuras de um grupo de crianças que envolvem baseball, casas-de-árvore, nadadores-salvadores atraentes, o gosto de viajar e um misterioso cão que come bolas. Resta deixar um aviso aos espectadores – PERIGO de nostalgia eminente de uma vida sem preocupações onde o Hakuna Matata é lei.

 

 

LITTLE MISS SUNSHINE (2006),  de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Do alto de uma vida adulta com os dias de férias contados, relembramos hoje com desmesurada nostalgia as viagens de família que alegravam a infância e obscureciam a adolescência. Em LITTLE MISS SUNSHINE, revisitamos essa realidade dicotómica ao acompanharmos por mais de 1000 km os Hoover, uma família fabulosamente disfuncional que, à custa de muita dificuldade, catástrofe cómica e cabeçadas na parede, se une para levar o membro mais jovem da família a um concurso de beleza que esta está destinada a perder do outro lado do país numa pão-de-forma amarela. Uma viagem onde estaríamos prontos a embarcar de olhos fechados.

 

 

500 DAYS OF SUMMER (2009), de Marc Webb

 Descrever um filme como “fresco que nem um pepino” pode não ser a forma mais eficiente para chamar a atenção dos espectadores para as suas qualidades. Mas a verdade é que a expressão se aplica a 500 DAYS OF SUMMER, uma das dramédias mais brilhantes e atípicas do jovem século. Mas voltemos ao pepino – o sabor húmido e fresco é perfeito para o Verão, da ajuda prestada ao combate do envelhecimento. O mesmo se passa com o título de Marc Webb, o retrato realista de um Amor perdido e achado, capaz de rejuvenescer o mais carrancudo fóssil. Pode não ser uma representação clara da estação mais apetecida, mas a encantadora Summer Finn chega (e sobra) para os propósitos desta lista.

 

 

DAZED AND CONFUSED (1993), de Richard Linklater

Se nos dedicarmos a uma busca intensiva, é possível encontrar filmes onde Matthew McConaughey não ande a bambolear-se em tronco nú a toda a santa hora na sua primeira década e pouco de carreira. É uma tarefa árdua, admito, mas é possível. DAZED AND CONFUSED é um deles, o clássico de culto que retrata os primeiros momentos das férias de verão de um grupo de adolescentes: aquelas primeiras horas de pura liberdade, a euforia que acompanha o último toque da escola. Capturando fielmente o espírito dos anos 70, é um filme que “é” o início das férias, e não um filme sobre o início das férias. E aí está uma grande diferença, uma diferença que o eleva ao estatuto de filme de culto.

 

 

[Artigo originalmente escrito para a Vogue.pt]

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Point-of-View Shot - Inside Out (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 30.06.15

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"Sadness: Crying helps me slow down and obsess over the weight of life's problems"

 

Decorria o ano de 2013 quando o presidente da Pixar tomou uma posição crucial para o futuro do estúdio – financeiro, criativo e sobretudo, no nosso coração. Depois de quatro filmes dos quais três eram sequelas/prequelas, o estúdio anunciou a intenção de retornar às raízes da originalidade, sublinhando a importância de lançar, pelo menos, um original por ano.

 

Foi uma jogada de mestre rara, só possível com uma origem onde a nobreza da satisfação por um trabalho bem feito – e feito com amor e inventividade – é a peça mais importante.

 

Dentro desse prisma, e depois de um ano de paragem sem o lançamento de um único filme, a Disney Pixar chega a 2015 com duas poderosas cartadas na manga. “The Good Dinosaur”, que nos fará delícias mais para o final do ano, e “Inside Out”, o corajoso e criativo filme que tem lugar dentro da nossa cabeça e onde as protagonistas são as nossas emoções.

 

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O resultado de uma decisão como aquela que a Pixar levou a cabo é apenas um, para já: o regresso definitivo de uma idade de Ouro que a nova década ainda não tinha visto (desde “Toy Story 3”).

 

Com “Inside Out” a Pixar – a nossa Pixar – está de regresso.

 

Depois de bonecos, monstros, carros e animais terem demonstrado a capacidade de sentir, é a vez das próprias emoções mostrarem que também têm sentimentos. Apresentamo-vos a Riley, uma menina de 11 anos que terá que dizer adeus a uma vida feliz no estado americano do Minnesota e começar uma nova vida, bastante do seu desagrado, em São Francisco. Numa viagem ao interior do seu cérebro, percebe-se como se formam as memórias e como da ação conjunta de cinco emoções – alegria, nojo, raiva, tristeza e medo – se definem experiências fundamentais, como fazer novos amigos.

 

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Não obstante o facto de ser praticamente uma verdade objetiva que já tenham existido personagens mais ricos ou uma coerência narrativa mais sólida, “Inside Out” segue sem igual ou paralelo no âmbito da ambição do conceito que apresenta, com uma metáfora adorável mas afetante que pretende “trocar por miúdos” as nossas emoções.

 

Pete Docter é o maestro da ousadia (juntamente com Ronaldo Del Carmen), e é curioso explorar como tentou extrair o

melhor das suas duas experiências anteriores no estúdio para criar um híbrido que vale apenas por si. É verdade que “Divertida-mente” não é tão simultaneamente coeso e inventivo como “Monsters Inc.”, nem tão emocionalmente carregado (sem ser manipulador) como “Up”, mas a metamorfização de experiências de Docter foi muito mais do que uma cautela vencedora.

 

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A mente é representada como uma pequena Disneyland onde vários “bairros” diferentes representam o inconsciente, a imaginação, a memória e muito mais – no que à construção estética e estilística diz respeito, o novo filme da Pixar é absolutamente de cortar a respiração. Animação é brilhante, colorida e surpreendentemente inspirada para um estúdio que tanto faz.

 

Mas não é apenas do ponto de vista técnico de “Inside Out” é um redondo triunfo do ponto de vista temático e de abordagem. Este é admitidamente o filme mais “negro” do estúdio – no fundo, e apesar de já termos sido suficientemente traumatizados com a emocional sequência inicial de “Up” ou a confrontação com a morte certa em “Toy Story 3”, “Inside Out” é essencialmente um ensaio sobre a depressão e a necessidade crucial da tristeza no enquadramento e desenvolvimento da psique humana. Isolar e alienar a possibilidade de tristeza ocasional, avisa-nos o filme, só poderá conduzir a um estado ainda mais profundo de infelicidade. E embutir uma mensagem como estas num filme primariamente destinado a crianças denota uma coragem e respeito pela inteligência do público tremendas.

 

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Docter e Del Carmen criam um universo único no seu elemento fantástico, mas, ao mesmo tempo, incrivelmente convincente que reflete de forma sensível e delicada as complexidades e fragilidades da mente humana.

 

Divertido, emocionante e emocional, “Inside Out” é um retumbante triunfo de Docter (uma das mentes mais brilhantes do cinema de animação atual) e um ansiado regresso a casa da Pixar.

 

Bem-vinda de volta.

 

 

8.5/10

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Homemade: 007: Dr Disney, o trailer

por Catarina d´Oliveira, em 24.06.15

Há projetos que são levados a cabo com amor. Muito amor. Mas que às vezes também se vão ficando pelo caminho...

 

Como, por falta de tempo (e se calhar de criatividade e paciência) andava a deixar o meu James Bond para trás, resolvi dar-lhe um boost com um "teaser trailer" para ver se me põe os sumos a circular.

 

A montagem está sofrível e denota uma incrível falta de material (só filmamos umas três ou quatro tardes), mas acho que cumpriu o seu dever. O Bond vai existir completo. Promise.

 

 

No intrincado enredo, uma organização criminosa tenta servir-se de brinquedos e jogos Disney para contaminar a população mundial com um vírus raro. O objetivo? Obrigar os governos do mundo a pagar largas somas pela cura/antídoto, apenas detida pela organização. O agente secreto James Bond terá de parar o terrível cabecilha Dr. Disney ao longo do mundo para restaurar a paz no mundo.

 

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(quando eu pensava que o filme estava pronto em março: LOL)

 

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Snorricam - Batman Vs Superman: o porno

por Catarina d´Oliveira, em 15.06.15

Além de um ajuntamento massivo à porta das salas de cinema e lucros astronómicos capazes de nos fazer chorar à noite agarrados à nossa almofada de penas, os blockbusters têm mais dois destinos certos: o lançamento de uma versão alternativa low-budget e série B e o lançamento de um filme erótico/pornográfico.

 

 

Com "Batman v Superman: Dawn of Justice" ao virar da esquina já no início de 2016, a Wicked Comix aproveitou o balanço e a oportunidade do confronto entre os dois maiores heróis da DC para fazer das suas. O resultado é surpreendentemente... espetacular (em várias medidas).

 

 

 

 

Segundo a sinopse oficial, "do Rei das Paródias chega o confronto pornográfico de banda desenhada do século! Axel Braun toma uma abordagem sexy a dois dos mais amados super-heróis do mundo à medida que estes se guerreiam nesta mega-produção da Wicked Comix. Harley Quinn, Catwoman, Maxima, Supergirl e uma audaciosa Wonder Woman juntam-se a um elenco extraordinário de personagens sensuais nesta paródia épica e absolutamente erótica. Dois heróis preparam-se para se levantar... de mais de uma forma!".

 

E com esta fabulosa punchline me fico acrescentando apenas que, sim... é provável que já possam "alugar" o dito cujo uma vez que foi lançado em DVD lá pelos States no passado dia 3. Have fun!

 

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Point-of-View Shot - Jurassic World (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 11.06.15

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"You just went and made a new dinosaur? Probably not a good idea..."

 

Há um lugar especial no coração de alguém que, numa insuspeita noite de verão, algures nos anos 90, se esquivava dos pais para ligar a televisão quando “Jurassic Park” era exibido pela primeira vez em canal aberto.

 

Descobriu-se a compaixão quando o Triceratopo adoeceu, a ansiedade quando uma debandada de Galimimos fugia à fome do T-Rex, o “toma lá bem feita!” quando o Dilofossauro impede Dennis de fugir do Parque com os embriões, os arrepios na espinha quando inolvidável o tema de John Williams ecoava pelo parque e a tensão pura e profunda quando aqueles dois Velociraptors encurralaram os miúdos na cozinha.

 

É pouco recomendável referir a primeira pessoa num texto que, apesar de naturalmente subjetivo, se procura fundamentalmente argumentativo e analítico. No entanto, arrisco tomar breves linhas para furar a convenção e explicar que “Jurassic Park” mudou a minha vida, porque com apenas uma mão cheia de anos de vida descobri que o milagre da sétima arte estava no seu alcance aparentemente infinito. Foi ali, com o filme de Spielberg, que o meu elo inabalável com o Cinema foi criado. E no dia em que o Parque se tornou Mundo, voltei àquela noite clandestina.

 

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A ter lugar 22 anos depois do primeiro filme – e basicamente ignorando todos os acontecimentos das sequelas – a nova aventura Jurássica regressa à Isla Nublar onde o parque de dinossauros está finalmente em funcionamento e segurança... Até deixar de estar.

 

Numa nova exposição da ignorante ambição de “brincar aos deuses”, a falta de humildade humana atinge novos máximos quando a gestão do parque resolve começar a criar dinossauros geneticamente modificados, sendo a inequívoca estrela da companhia o impressionante Indominus Rex – que é, na verdade, “A” Indominus Rex. Porque é que havemos de continuar a criar espécies “mundanas” quando podemos juntar as mais perversas combinações de DNA que o tempo tentou esquecer? Evidentemente, a imprevisibilidade de tal criação leva à sua capacidade de escapar e tornar o resto do parque numa bastante completa e apetecível versão de um buffet “coma até cair para o lado”.

 

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Apesar de não conseguir manter a aura emocional e o sentimento de assombro e fascínio do original de Steven Spielberg, Colin Trevorrow revela-se como um competente maestro do caos como gerador de ação.

 

Surgindo como a mais sólida (e melhor) das três sequelas, “Jurassic World” é especialmente bem-sucedido no estabelecimento do ritmo da ação que, quando arranca, explode numa montanha-russa de acontecimentos verdadeiramente entusiasmantes. Também o híbrido sintético no centro do terror da narrativa é simbólico - além do agente do caos, é uma metáfora representativa dos excessos gerados pelas imoderações do consumo e de quem produz entretenimento e a fome do lucro.

 

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O diálogo não é particularmente inspirado e algumas personagens tornam-se estereótipos andantes por falta de melhor caracterização (particularmente os vilões), mas à parte da eterna questão “como é que estes tipos conseguem continuar a ser autorizados e financiados para abrir estes parques?”, “Jurassic World” consegue transcender a ideia básica de bestas que perseguem humanos em fuga e é estruturalmente bem construído, tem uma progressão dramática e de enredo relativamente convincentes e um clímax surpreendentemente satisfatório.

 

Depois de um primeiro ato gerado para fazer os queixos tombar com admiração dócil, Trevorrow transforma rapidamente esta aventura de ficção científica num elaborado exercício criativo de (re)afirmação da lei de Murphy – não só tudo o que pode correr mal vai acontecer como vai tornar-se ainda pior. Às vezes parece mesmo que Trevorrow e companhia passaram a noite anterior à escrita do argumento a encharcar-se de gomas e Coca-Cola enquanto assistiam a “Predator”, “Alien” e “The Thing” escondidos debaixo dos lençóis.

 

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E apesar de o amor e respeito do realizador pela aura de “Jurassic Park” ser bastante óbvio, é no terceiro ato, algo espalhado por todo o lado, que esta sua nostalgia acaba por levar a melhor perdendo-se em referências e anotações demasiado encantadas com a sua própria importância. Não é necessária uma análise profunda para admitir que “Jurassic World” é frequentemente frívolo e autocomplacente, mas a verdade é que, surpreendentemente, na maioria das vezes, acaba por funcionar de alguma forma.

 

Chris Pratt é um herói carismático e bem-humorado, e enviamos diretamente de Portugal o prémio de "Maior Maratonista de Saltos Altos" para Bryce Dallas Howard, mas apesar de uma sólida dupla humana, são, mais uma vez, os fantasmas da maravilha extinta os principais protagonistas.

 

A magia dos animatrónicos de Spielberg está praticamente ausente num parque onde, provavelmente, 99% dos dinossauros são inteiramente gerados por computador. E se é verdade que esta visita aos milhões de anos passados parece, em certa medida, mais plástica e processada, este tipo de animação permite outros voos, estratosféricos, pela possibilidade do imaginário do cinema. E a vocação que é aqui demonstrada pelo estado de arte tecnológico é de cortar a respiração.

 

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Num exemplo em que o todo é superior à soma das partes, “Jurassic World” é uma seta do cupido apontada ao nosso coração com síndrome de Peter Pan. Durante duas horas completas convencemo-nos de que os dinossauros estão à distância de uma viagem de barco e de que o limite da nossa imaginação é apenas o início das possibilidades de um Cinema feiticeiro na fábrica de sonhos.

 

É um blockbuster de verão à moda antiga, de coração terno e adrenalina máxima onde é o homem contra a natureza, contra a natureza (modificada). E nós, porque estamos muito mais abaixo na cadeia alimentar do que gostamos de admitir, bem podemos aplaudir, mas nunca ganhamos.

 

 

7.5/10

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Deep Focus - A Mulher enquanto heroína de ação (III)

por Catarina d´Oliveira, em 04.06.15

[artigo originalmente publicado na Magazine.HD]

 

E antes de colocar um ponto final na sequência de artigos sobre a Mulher enquanto heroína de ação, abordando o tema do Legado e da importância específica da personagem de Furiosa em "Mad Max: Fury Road", aproveito para revisitar algumas das outras grandes heroínas do Cinema de ação do séc. XXI, sem ordem específica e claro... ficarão certamente muitas outras por destacar.

 

Às mulheres guerreiras!

 

 

THE BRIDE [in “Kill Bill”, 2003/2004]

bride

 

Possivelmente, é o facto de ser uma mulher que torna a Noiva numa heroína tão interessante em “Kill Bill”. Alvejada, espancada e violada, Beatrix Kiddo acorda de um coma de quatro anos em puro estado de cólera. A sua icónica jornada de sangue, punição e vingança tornou-se objeto de culto praticamente a partir do momento de estreia.

 

 

 

HIT GIRL [in “Kick-Ass”, 2010/2013]

 

hitgirl

 

Foi criada pelo pai para ser uma vigilante da justiça ainda que mantenha as feições encantadoras da girl-next-door. Não se deixem enganar, porque a heroína de Chloe Grace Moretz que mantém uma íntima afinidade com lâminas avia mais maus da fita do que qualquer outro coprotagonista de Kick-Ass.

 

 

 

YU SHU LIEN [inCrouching Tiger, Hidden Dragon”, 2000]

 

crouching

 

A escolha de Yu Shu Lien incorre numa pequena infração na lista – em rigor, “O Tigre e o Dragão” é um filme realizado ainda no séc. XX apesar de ter sido estreado em muitos países no início do séc. XXI (ano de 2001), mas a imponência da personagem de Michelle Yeoh (a própria atriz é um ícone da ação feminina tendo feito sombra a Jet Li, Jackie Chan e ao fictício James Bond e  é demasiada para ignorar. Shu Lien é a epítome da mulher guerreira e exemplifica na perfeição o pináculo da força física e mental.

 

 

 

LARA CROFT [in “Tomb Raider”, 2001-2003]

 

croft

 

É contestável dizer que Lara Croft terá sido o mais bem conseguido veículo de cinema de ação na eclética galeria de personagens trazidas à vida por Angelina Jolie (onde se contam a mortífera Fox de “Wanted” ou a engenhosa Evelyn Salt de “Salt”), mas é indiscutível a importância que a adaptação do videojogo “Tomb Raider” teve para a reanimação da noção da mulher como estrela de ação. Numa espécie de versão feminina mais cool, atlética e sensual de Indiana Jones, Lara Croft foi um icónico farol de inspiração para toda uma geração de heroínas que surgiram posteriormente.

 

 

 

KATNISS EVERDEEN [in “Hunger Games”, 2012-2016]

 

heroínas

 

Katniss Everdeen pode não ser a heroína mais bem construída da história do cinema mas é, definitivamente, a grande estrela de ação feminina desta Era. Com apelo e engenho que desafiam as convenções, a personagem interpretada por Jennifer Lawrence começa por ser uma mulher em busca da sobrevivência para se vir a tornar um símbolo da Revolução (mesmo que contra a sua vontade). Mas são as habilidades com o arco e flecha, a inquebrável coragem e o incorruptível amor pelos seus que lhe dão entrada direta para o nosso top.

 

 

 

 

EVELYN SALT [in “Salt”, 2010]

 

salt

 

O protagonista de “Salt” foi originalmente escrito para Tom Cruise mas posteriormente alterado para garantir que seria Angelina Jolie a dar vida à então espiã em fuga. O enredo previsível torna-o um thriller relativamente banal, mas Jolie é uma força da natureza enquanto elimina eficazmente soldados dos serviços secretos aos magotes, salva os EUA da destruição e ainda tenta descobrir a verdade sobre si mesma.

 

 

 

MOON [in “Hero”, 2002]

 

hero

 

A notabilidade de Ziyi Zhang montou-se a partir de “Crouching Tiger, Hidden Dragon” onde viveu a rebelde filha de um governador rico que se treinou em artes marciais. No entanto, e porque também já falamos de Michelle Yeoh, resolvemos eleva-la por “Hero” onde interpreta a corajosa Moon, uma lutadora apaixonada, determinada e preparada a lutar até à última instância.

 

 

 

ALICE [in “Resident Evil”, 2002-2016]

 

residentevil

 

As adaptações de videojogos para o cinema não têm tido uma carreira particularmente feliz – isto se quisermos mesmo entrar na simpatia de lhe chamar “carreira”. No entanto, uma das entradas de maior sucesso do género foi inequivocamente a de “Resident Evil”, que coloca Milla Jovovich naquele que parece ser um caminho interminável de zombies para abater.

 

 

 

HERMIONE GRANGER [in “Harry Potter”, 2001-2011]

 

hermione

 

A figura central da saga “Harry Potter” bem pode ter sido permanentemente habitada pelo rapaz que sobreviveu, mas é pouco provável que o jovem feiticeiro tivesse ido além do primeiro episódio sem a preciosa ajuda de uma das suas melhores amigas: a menina-prodígio, Hermione Granger. É inteligente, capaz, audaz e, em boa verdade, mais bem equipada que o protagonista. A justiça que fazem à escrita de uma grande personagem feminina tanto nos livros como nos filmes é notável.

 

 

 

 

CHERRY DARLING [in “Planet Terror”, 2007]

 

planetterror

 

A fabulosa homenagem em forma de paródia aos filmes de terror da década de 1970 que é o double feature “Grindhouse” é uma vitrine de mulheres cheias de si, de feminilidade e sobretudo, de vontade de chegar a roupa ao pelo a quem se meter com elas. E enquanto a perseguição a Stuntman Mike é um clímax delicioso para as mulheres de “Death Proof”, era impossível manter a icónica Cherry Darling fora da nossa lista. Afinal, ninguém tem uma metralhadora como perna. Enough said.

 

 

 

SELENE [in “Underworld”, 2003-2012]

 

underworld

 

Com a família assassinada por um grupo de malvados lobisomens, é compreensível que a bela Selene – transformada em vampira pelo “padrasto” – tenha umas quantas vinganças para resolver. E numa era em que a mitologia vampiresca é tão maltratada, é revigorante ver uma saga (mesmo que bastante imperfeita) liderada por uma mulher forte com um arsenal de artilharia moderna para tentar refrescar o género.

 

 

 

ELIZABETH SHAW [in “Prometheus”, 2012]

 

prometheus

 

O legado que pretende preencher não é justo: ninguém seria capaz de “substituir” a Ellen Ripley de Sigourney Weaver em qualquer situação que fosse, no franchise “Alien”, mas sendo “Prometheus” uma besta que existe por si mesma (ainda que claramente conectada à tetralogia original), a Elizabeth Shaw de Noomi Rapace não se deixa passar vergonha – ela que já nos tinha provado de que fibra era feita como a inolvidável Lisbeth Salander na adaptação cinematográfica sueca da trilogia “Millenium”. Além de fazer parte de uma equipa de elite de exploração de um planeta longínquo, é a protagonista de uma cenas de primeiros socorros mais violentas da história do Cinema.

 

 

[artigo originalmente publicado na Magazine.HD]

 

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Mise en Scène - Macbeth & afins

por Catarina d´Oliveira, em 04.06.15

Trazer o génio de Shakespeare para o cinema nunca foi ou é fácil, mas a tarefa torna-se ainda mais complicada se falarmos da peça amaldiçoada - aquela cujo nome é "proibido" dentro de uma sala de teatro sendo a consequência de tal ato uma sequência de tragédias inimagináveis.

 

Mas o jovem Justin Kurznel é tipo para arriscar, e arriscar com estilo - Shakespeare, Fassbender e Cotillard não é para qualquer maluco. E a melhor notícia de tudo isto, é que este "Macbeth", além de já ser prezado pelas formas como se distancia de outras adaptações, teve uma excelente receção em Cannes.

 

Macbeth-Michael-Fassbender-Marion-Cotillard-570x29

 

No enredo, Macbeth, um duque da Escócia, ouve uma profecia de um trio de bruxas que lhe diz que um dia ele se tornará o Rei da Escócia. Consumido pela ambição e levado a agir pela manipuladora esposa, Macbeth assassina o rei e fica com o trono para si.

 

O filme de Justin Kurzel chega ao Reino Unido a 2 de outubro de 2015.

 

 

*** *** ***

 

Quando "Mistress America" estreou no festival de Sundance deste ano, já a Fox Searchlight tinha visto o seu potencial à distância e adquirido os direitos de distribuição. Não é de estranhar, já que depois do tremendo sucesso crítico de "Frances Ha", Noah Baumbach e Greta Gerwig voltaram a juntar-se para uma colaboração (além de o primeiro realizar e ela protagonizar, sºao também ambos argumentistas).

 

MistressAmerica-Sam-Levy-courtesy-of-Fox-Searchlig

 

Tracy é uma caloira da universidade algo introvertida perdida pelas ruas de Nova Iorque que se vê, simultaneamente, sem a excitante experiência universitária ou o estilo de vida glamouroso que tinha envisionado. Mas quando é chocalhada pela rabanada de vento que é a sua futura cunhada Brooke - uma nova iorquina de gema e aventureira por natureza - é salva das suas desilusões e seduzida pelas loucuras de Brooke.

 

Infelizmente ainda sem data de estreia marcada para Portugal, o filme de Baumbach chega aos EUA a 14 de agosto.

 

 

 

*** *** ***

 

Depois de alguns anos a deixar que a Disney lhe voltasse a tomar a dianteira, a Pixar parece finalmente decidida a reclamar de volta o seu trono de rainha da animação do séc. XXI. Em 2015 não só deixa o terreno das sequelas como nos traz... dois pesos pesados. "Inside Out" estreia já este mês, e o segundo ataque chega lá mais para o final do ano, quando "The Good Dinosaur" tem chegada apontada.

 

The_Good_Dinosaur_one-sheet.jpg

 

Como seria se o asteróide que mudou para sempre a vida na Terra, falhasse completamente o planeta e os dinossauros nunca tivessem sido extintos? A Pixar Animation Studios leva-nos numa aventura épica pelo mundo dos dinossauros onde um Apatossauro chamado Arlo faz um amigo humano improvável. Enquanto viajam através de uma paisagem misteriosa, Arlo aprende o poder de enfrentar os seus medos e descobre do que é realmente capaz.

 

Por cá, The Good Dinosaur deve estrear em novembro de 2015.

 

 

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Deep Focus - A Mulher enquanto heroína de ação (II)

por Catarina d´Oliveira, em 27.05.15

furiosa.png

 

 

2. FURIOSA

 

Ouvem-se cânticos de guerra pela Cidadela adentro. Os War Boys uivam de prazer em face da possibilidade da morte certa em honra da adoração cega de um líder misógino e terrorista. O deserto impenetrável que circunda este oásis de vida aparente parece uma poderosa analogia para o sexo ausente numa civilização dizimada.

 

Sob um comando autoritário e profundamente machista, as mulheres e crianças são meros elementos de exploração necessária para alimentar uma sociedade patriarcal em decadência.

 

“Quem matou o mundo?” – escreveram as últimas mulheres saudáveis. A resposta, no entanto, não é tão interessante de perseguir como a solução do problema apresentada por George Miller: voltar a colocar a Mulher, responsável por gerar vida, no centro dos comandos, em pé de igualdade com o Homem. E a líder da revolução não poderia ser uma melhor bandeira para a reivindicação de mais e melhores Mulheres no Cinema.

 

 

Exalando confiança e calma, é com passos seguros e firmes que a vemos surgir de cabeça rapada e com um braço mecânico a subir para uma máquina de combate artilhada. Senta-se aos comandos e com gordura e sujidade do motor, escurece a linha do olhar com pinturas de guerra.

 

Furiosa não é propriamente a heroína a que estamos habituados. Não é uma cara bonita com roupa de lycra a exaltar as curvas. Não é uma mulher que procura vingança por um crime hediondo. Não é resultado da incubação de uma assassina treinada.

 

Na verdade, Furiosa nasceu numa comunidade de mulheres e foi criada exclusivamente por elas. Ela existe para as mulheres e está aqui por causa delas. E tudo o que aprendeu – desde o mais inato sentido de raiva, à adquirida ferocidade – aprendeu de mulheres e/ou por ser uma mulher.

 

 

Saudável e capaz, é, no entanto, estéril, razão pela qual não foi tornada escrava sexual ou uma mera “ordenhadora” quando foi roubada e transferida para a Cidadela liderada pelo temível Immortan Joe, ainda na infância. O estatuto que adquiriu edificou-se exclusivamente a partir das suas capacidades.

 

A própria Charlize Theron admitiu que a possibilidade de vir a interpretar um daqueles suspiros vazios no universo macho de ação deixou-a assustada.

 

Lembro-me de ouvir dizer que o George Miller ia reimaginar este mundo e que ia criar uma personagem feminina que ia erguer-se ao mesmo nível que o Max. A princípio pensas sempre ‘isso é porreiro!’, mas depois vem o ceticismo. ‘Já ouvi esta história e já sei que vou ser a miúda que acaba lá atrás com o soutien push-up e o cabelo ao vento’. Já faço isto há algum tempo e tenho feito um grande esforço para me afastar desses projetos. Mas depois conheci o George, e houve algo nele em que acreditei mesmo. Acreditei que ele queria fazer algo que fosse mesmo verdadeiro. Acho que existe uma igualdade neste papel, em oposição a ser apenas uma mulher neste tipo e filmes. E acho que as mulheres estão só ansiosas por essa igualdade. Não quero ser posta num pedestal, e não quero ser nada mais do que sou. Quero ser apenas uma mulher, mas uma mulher autêntica, neste género ou em qualquer outro”.

[Charlize Theron]

 

 

Tal como Ellen Ripley e Sarah Connor antes de si, Furiosa tem algo que a diferencia das demais heroínas, e que é parte da sua receita de sucesso – basicamente, o seu heroísmo e coragem embebem-se no seu estatuto e condição de mulher, e ambos estão ligados e alimentam-se mutuamente. Simultaneamente, Furiosa é uma guerreira e uma alma em conflito, à procura de vingança. Ela não se limita a existir e é a parte mais ativa na construção de um futuro onde muito mais do que sobreviver, existe a possibilidade de viver.

 

É esta combinação de elementos que a torna um farol tão importante para a representação da imagem da Mulher no Cinema de ação do futuro e no cinema em geral – porque há uma grande relutância generalizada em explorar a ideia de uma mulher tão complexa.

 

A preponderância de Furiosa atingiu níveis estratosféricos quando se tornou uma das principais bandeiras dos Ativistas dos Direitos do Homem, que se sentiram tão ameaçados pela mensagem pró-feminina de “Fury Road” que tentaram… promover um boicote ao filme.

 

O que não deixa de constituir uma ironia quase repulsiva – um dos melhores filmes de ação dos últimos anos é demasiado “moderno” para os delegados da misoginia barata.

 

 

É interessante fazer estas entrevistas e ter pessoas que dizem ‘Oh, que mulheres fortes’. Mas não… somos apenas e só mulheres. Tivemos um realizador que percebeu que a verdade é que as mulheres são poderosas o suficiente, que não precisamos de ter poderes sobrenaturais ou de sermos capazes de fazer coisas que não conseguimos normalmente

[Charlize Theron]

 

No final de contas, não é assim tão difícil criar uma personagem feminina multidimensional e povoada por belas nuances e contradições. O que acontece é que a história e particularmente o género de Ação não têm sido bons para a Mulher, reduzindo-a muitas vezes a uma vítima incapaz ou a uma extravagante caricatura vestida com látex. Theron complementa a noção: “O problema da representação das mulheres no cinema remonta ao complexo da Madonna/p*ta”.

 

É verdade que o séc. XXI viu surgir um pequeno leque de outras ecléticas heroínas – desde a noiva de Uma Thurman em “Kill Bill”, à vencedora dos “Hunger Games” Katniss Everdeen, a Lisbeth Salander de Noomi Rapace e Rooney Mara, passando até pela secundária mas complexa Viúva Negra de Scarlett Johannsson em “The Avengers”, entre outras.

 

 

Mas é também o leque de limitações de cada uma delas, e especialmente a brava heroína de Johansson que ajuda a exaltar a importância de Furiosa para o panorama cinematográfico atual. Com a disparidade de tratamento, tanto nos filmes como restantes meios (merchandising, por exemplo), o horizonte de um filme de estúdio dedicado a uma (super-)heroína feminino parece estupidamente distante. E com esta perspetiva negra do futuro da guerreira feminina, a criação contra-corrente de Charlize Theron e George Miller (que se apaixonou tanto pela personagem que lhe escreveu uma história de origem personalizada) eleva-se ainda mais alto.

 

O tempo tratará de provar que é ela a Joana d’Arc da figura de ação feminina – uma fonte inesgotável de inspiração e poderio.

 

Furiosa é a heroína que queremos, que precisamos.

A heroína que merecemos.

 

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